Albert Schweitzer e o misticismo nos escritos do apóstolo Paulo - por Ben C. Blackwell
Continuando com seu 'Paulo e Seus Intérpretes', Albert Schweitzer oferece sua alternativa à análise acadêmica do paulinismo com ênfase helenística. Alternativamente, Schweitzer argumenta uma visão escatológica de Paulo – que a morte e ressurreição de Jesus instituiu o Reino Messiânico. Por uma união real e não apenas simbólica, os crentes participam da morte e ressurreição com Cristo e são totalmente preparados para o vindouro Reino messiânico. O argumento chave de Schweitzer é que, quando Cristo retornar, os crentes serão arrebatados com ele no ar e experimentarão imediatamente a experiência consumada da ressurreição. Eles não precisam experimentar a morte física antes da ressurreição porque já participaram de maneira real da morte e ressurreição de Cristo por meio de uma união mística. Esta união é mediada pelos sacramentos. O batismo introduz o crente na união da morte e ressurreição. Enquanto a santa ceia estava na prática inicial, de acordo com Schweitzer, principalmente uma celebração antecipada da festa messiânica no retorno de Cristo. Outro elo fundamental em tudo isso é a anulação da Lei quando o Reino Messiânico começou. Com a ressurreição e, portanto, o advento do Reino messiânico, a Lei não é mais válida para o relacionamento com Deus.
Schweitzer ainda tem muito em mente as questões do relacionamento de Paulo com a helenização da igreja. Com o retorno tardio de Cristo, eventualmente, a esperança escatológica de seu retorno iminente diminuiu. Como tal, os “verdadeiros” escritores helenizantes – João, Inácio, Justino, etc. – focaram mais nas categorias e na linguagem grega para transmitir o misticismo do que o escatológico. Eles usaram algumas das formas de Paulo, mas transformaram o conteúdo dessas formas em helenístico.
Enquanto a justificação pela fé é um argumento chave nas cartas de Paulo aos Romanos e Gálatas, Schweitzer diz que este argumento é usado apenas polemicamente contra o partido que promovia a Lei. A morte expiatória de Jesus pelos pecados é encontrada nesta parte de Paulo, mas sua verdadeira visão da salvação é a união dos crentes na morte/ressurreição de Cristo. Assim, o poder do pecado e da carne é anulado por sua participação com Cristo, e assim eles são perdoados. Nesse sentido, Schweitzer defende que a ética só pode advir da união mística e não da justificação forense pela fé.
Outro argumento interessante que o Schweitzer faz é a conexão entre anjos/demônios e a Lei. Ele não foge da ideia de que os anjos deram a Lei, de modo que com o advento do Reino Messiânico de Cristo, não apenas o poder da Lei foi quebrado, mas também o poder dos seres demoníacos. Essa visão de mundo sobrenatural atua fortemente na visão de Schweitzer sobre a escatologia e a soteriologia de Paulo. Os crentes não somente não são mais mantidos sob a influência do poder da carne por meio da união mística na morte e ressurreição de Cristo, mas também são libertos dos poderes espirituais.
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